
Fazer poesia com o corpo todo: eis a lição/convocação de Ricardo Aleixo nos trinta verbetes de
Dendorí: dar corpo ao poema - e vice-versa. Partindo da rica experiência como "performador", o poeta mineiro reflete sobre os principais aspectos dessa dimensão tão importante da arte poética, lembrando-nos de que, desde suas origens, nas mais variadas culturas, fazer um poema é bem mais do que colocar um texto no papel.
Em vez de criar conceitos rígidos, Aleixo se dedica a registrar poeticamente suas ideias, que se oferecem como ponto de partida para novas criações, dele e de todos nós, porque performance "é a junção, num mesmo espaçotempo, da voz - que faz da palavra uma força viva -, do corpo inteiro, do gesto e do movimento, os quais, assim enlaçados, compõem um ambiente multissensorial, um campo aberto e livre".
À luz da palavra "dendorí" (contração mineiríssima de "dentro do
orí", em que a palavra iorubá significa "cabeça"), ele nos ensina que cada artista é uma "pessoa-muitas", isto é, compõe-se coletivamente, inclusive por sua ancestralidade, e é sobretudo no palco do poema que todas essas pessoas têm presença, voz, corpo.
Os verbetes - que acompanham os passos de Aleixo da improvisação à inspiração, da intermídia ao "poemanto", da "corpografia" ao "texto-tambor" - formam um precioso ensaio sobre a performance poética, recolhendo um
saber que se fez a partir do
fazer de um dos principais poetas brasileiros das últimas décadas.
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