
Com graça, elegância e engenho, este romance articula desejo, culpa e envelhecimento, questionando o que resta de nós quando as escolhas do passado vêm nos trazer sua derradeira cobrança no fim da vida.
Uma jornalista brasileira abandona São Paulo e se muda para Londres, onde passa a trabalhar como cuidadora em um asilo de luxo, a Rosehill House. Ali, a narradora confronta-se com a decadência física, a solidão e os conflitos familiares, ainda bastante vívidos. Entre os residentes, contudo, destaca-se Felicity, uma senhora de 97 anos que compartilha memórias de um amor extraconjugal vivido nos ainda bastante conservadores anos 1950. O caso amoroso torna-se para ela uma forma de rebelião contra o destino doméstico e as convenções sociais da Inglaterra do pós-guerra. O preço, contudo, pode ter sido alto demais. No asilo, a narradora também observa a hipocrisia (esta, sem idade para se manifestar), a disputa por heranças e o abandono afetivo dos idosos. E é essa convivência com os extremos - físicos, emocionais e familiares - da velhice que desperta na narradora reflexões obsessivas sobre o corpo, a memória, o tempo e os ciclos da natureza. Isso ganha contornos ainda mais pessoais quando recebe a notícia dos últimos momentos do seu pai, no Brasil. Passando um tempo de volta ao país para lidar com o luto e desembaraçar a burocracia em torno do finado pai, ela passa a perceber o influxo de uma vida próxima da natureza, onde sente que enfim é possível observar melhor a passagem do tempo. Com graça, elegância e engenho, este romance articula desejo, culpa e envelhecimento, questionando o que resta de nós quando as escolhas do passado vêm nos trazer sua derradeira cobrança no fim da vida.
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