
Os Inocentes no Estrangeiro é a mordaz e irresistível narrativa da primeira grande excursão turística norte-americana ao Velho Mundo e à Terra Santa, tal como observada por Mark Twain, que embarcou na viagem em 1867 a bordo do paquete Quaker City. Com um olhar simultaneamente ingénuo e profundamente crítico, Twain regista o choque cultural, os exageros patrióticos e o comportamento caricatural dos seus compatriotas enquanto atravessam Europa, Ásia e África. A sua voz, sempre espirituosa, alterna entre a admiração genuína e a ironia mais afiada, compondo um retrato memorável da mentalidade americana no estrangeiro.
Ao longo do percurso, o autor descreve paisagens, cidades, ruínas clássicas e locais bíblicos, mas as verdadeiras protagonistas do livro são as personagens - um grupo heteróclito de peregrinos, devotos, curiosos e excêntricos, cuja interação produz episódios de humor inesquecível. Twain expõe, com precisão quase antropológica, as ilusões românticas que os viajantes levam consigo e a desilusão que por vezes os espera, mas fá-lo sempre com humanidade e um espírito de franca reflexão sobre o que significa viajar e compreender o outro.
Mais do que um simples relato de viagem, Os Inocentes no Estrangeiro é um documento cultural que desafia preconceitos, denuncia a arrogância turística e examina a relação tensa entre expectativa e realidade. A obra permanece atual pela sua crítica mordaz às ilusões de grandeza nacional, pela sua defesa da abertura ao mundo e pela extraordinária modernidade do seu humor. É um clássico que continua a iluminar, divertir e desconcertar leitores mais de um século depois.
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